CARACTERIZAÇÃO DE DISPAROS DE ARMA DE FOGO DE BAIXA ENERGIA EM VIDROS TEMPERADOS VEICULARES

Eliane Helena Alvim de Souza, Wagner Bezerra do Nascimento, Patricia Nascimento, Humberto Vidal, Luciana Von Szilagyi, Maria do Socorro Orestes Cardoso

Resumo


Objetivo: Analisar as perfurações produzidas por projéteis disparados por revólver calibre 38 em vidros veiculares temperados, com e sem película antivandalismo. Metodologia: De natureza experimental, o estudo foi desenvolvido efetuando-se disparos de arma de fogo de baixa energia em vidro da porta dianteira esquerda de veículo marca Volkswagen modelo Gol. Os disparos foram realizados por instrutor de tiro, observada a distância de 1m entre o final do cano e o vidro. Por ocasião do disparo o braço do atirador ficou apoiado sobre um suporte, regulado em função do quadrante onde incidiria o tiro mantendo-se, a perpendicularidade da arma em relação ao solo. Foram utilizados quatro vidros veiculares de um mesmo fabricante. Antes de iniciar os disparos os vidros foram divididos em nove quadrantes. Nos dois vidros sem película foram procedidos dois testes, sendo em cada um deles realizado disparo único. Nos dois vidros com película foram realizados dois testes nos quais em cada um se efetuou cinco disparos em seqüências diferentes. Efetuados os disparos procedia-se o registro fotográfico da configuração resultante para posterior análise relativa às linhas formadas. Medições foram realizadas para se determinar a existência de variação no diâmetro do desenho formado. Resultados: No vidro sem película o resultado produzido após o primeiro disparo resultou no estilhaçamento da peça o que impossibilitou novos disparos. Nos vidros com película o primeiro disparo sempre resultou na formação de linhas radiais e concêntricas; a partir do segundo disparo formaram-se apenas linhas concêntricas. Referente às medições do diâmetro dos desenhos formados pode-se observar que o primeiro disparo produzia sempre circunferência de maior diâmetro em relação aos demais. Do terceiro disparo em diante este diâmetro tendia a se manter, independente do quadrante onde incidisse o disparo.  Conclusão: É possível se determinar em um acontecimento de múltiplos disparos de arma de fogo de baixa energia, em vidros temperados veiculares e que possuam a película antivandalismo aplicada, qual foi o primeiro, dentre os demais disparos que atingiu o vidro, utilizando-se para isto, como características diferenciadoras o diâmetro da circunferência e a observação do aparecimento das linhas radiais na formação da geometria das fraturas.


Palavras-chave


Criminalistica

Texto completo:

PDF

Referências


R. Araújo Júnior, F. C. Gerent. Armas de Fogo, 2010[Apostila].

Código de Processo Penal e Constituição Federal, 57 ed., São Paulo: Saraiva, 2017. 952p.

N.J. Georg; L. Kelner; J.R. Silvino; J. Bosco.Armas de fogo: aspectos técnicos periciais. Revista jurídica - CCJ da FURB, Blumenau, 15(30):137-56, 2011.

C. Nenevê. Curso de Balística Forense. Ministério da Justiça do Brasil. Governo Federal. Secretaria Nacional de Segurança Pública. 2014.

I.E. Garcia, P.C.M. Póvoa. Balística Forense. Goiânia: AB; 2000. 136 p.

A.M. Tryhorn.The American Journal of Police Science, 1928.

S.N. Matwejeff.The American Journal of Police Science, 1931.

D. Tocchetto.Balística Forense: aspectos técnicos e jurídicos. 3. ed., Campinas: Millennium, 2013.

H. Gross.Criminal Investigation.Carswell, Toronto, 1906.

G.C.P. Branco et al. Análise do Dano por Impacto de Projétil calibre 7,62 mm (308 Winchester) em Vidros Blindados para Veículos de Transporte de Valores.Anais Congresso Brasileiro de Cerâmica [48]. Curitiba-PR, 2004.

G.R.S. Weyne. Determinação do Tamanho da Amostra em Pesquisas Experimentais na Área de Saúde. Arq. Med. ABC,29(2):87-90, jul./dez. 2004.




DOI: http://dx.doi.org/10.15260/rbc.v9i2.293

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.